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Postado por em maio 2, 2016 em Extra |

Sol na dose certa

Sol na dose certa

A luz solar é essencial para a vida humana e indispensável para uma boa saúde. É a principal fonte de vitamina D, correspondendo a mais de 90% do necessário para o bom funcionamento do organismo. Outra fonte dessa vitamina são os alimentos (de origem animal e vegetal).

Quando nos expomos ao sol, os raios ultravioleta B iniciam a produção da vitamina D na pele. Para ser ativada, essa vitamina vai para o fígado e, em seguida, para os rins. Atua na absorção intestinal do cálcio ingerido pela dieta, e equilibra o cálcio e o fósforo no sangue, o que possibilita adequada mineralização óssea.

Além disso, a vitamina D modula o sistema imunológico, fortalecendo o corpo contra asma, diabetes tipo 1, esclerose múltipla, doenças cardíacas e cânceres de intestino (colorretal) e mama. Por suas tantas funções, passou a ser chamada de pró-hormônio.

A deficiência de vitamina D na infância leva ao raquitismo. Nessa doença, a criança apresenta alteração no crescimento e no ganho de peso, atraso no andar e em outras habilidades motoras, problemas no nascimento dos dentes, muito suor, irritabilidade, susceptibilidade a fraturas e deformidades ósseas.

Para evitar a deficiência da vitamina D, a criança deve tomar sol, sem o uso de protetor solar, por duas horas semanais ou cerca de 20 minutos diários. Se a criança estiver só de fraldas, 30 minutos por semana são suficientes. Para otimizar a produção da vitamina D, prefira exposições curtas e regulares, com uma maior área da pele exposta. Para minimizar os riscos de câncer de pele, é recomendado o horário antes das 10 horas ou após as 15 horas, apesar de a produção da vitamina D ser menor nesses horários, devido à incidência mais oblíqua do sol, assim como ocorre no inverno.

É muito importante que a criança não se queime, pois queimaduras solares na infância aumentam a chance de câncer de pele quando adulto. No horário entre 10 e 15 horas, procure uma sombra, use boné, óculos de sol, roupa clara e protetor solar, mesmo em dia nublado. Além de diminuir a chance de câncer, essas medidas evitam o envelhecimento precoce da pele, doenças oculares e modulação desfavorável do sistema imunológico.

Outros fatores que podem atrapalhar a produção e a atuação adequada dessa vitamina são pele escura, doenças como obesidade, síndrome nefrótica, má absorção de gorduras e uso de alguns antibióticos e anticonvulsivantes.

Devido ao dilema entre o câncer de pele e a deficiência de vitamina D, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças a partir da primeira semana de vida, independentemente do local de moradia, recebam suplementação da vitamina até os dois anos de idade.

Usufrua conscientemente desse recurso da natureza e tenha os benefícios do sol em sua vida.

 

Referências:
“Deficiência de vitamina D em crianças e adolescentes.” Documentos científicos. Sociedade Brasileira de Pediatria. Outubro 2014.
Castro LCG. “O sistema endocrinológico. Vitamina D.” Arq. Bras. Endocrinol. Metab. 2011;55/8.

 

Imagem: Bashkatov / Fotolia
Autoria: Evelyn Arrais Guzman Rocha – Médica pediatra
Fonte: Fonte: Revista Vida e Saúde – Março / 2015