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Postado por em mar 8, 2016 em Extra |

Eles realmente purificam a água?

Eles realmente purificam a água?

A ingestão de dois litros de água por dia é unanimidade entre os especialistas. Mas, para que o organismo funcione como o esperado, a água precisa ser cristalina e livre de bactérias. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ao menos dois milhões de pessoas morrem por ano no mundo devido a doenças causadas pela água contaminada.

Muitas pessoas optam pelos filtros d’água ao invés do galão convencional, mas é essencial saber a funcionalidade de cada tipo. A diversidade nas propagandas pode confundir o consumidor: “Água pura da fonte em casa”; “ação bacteriológica”; “poder antitoxina”; “água limpa e cristalina”, são algumas das publicidades vistas nos mercados.

O primeiro passo para escolher um bom filtro, segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), é verificar na embalagem se o filtro deve ser usado em água pré-tratada (água fornecida pela rede de abastecimento) ou em água direta da fonte (como poços e nascentes).

O segundo passo é fazer a diferenciação entre filtros e purificadores. O biomédico Roberto Martins Figueiredo, o “Doutor Bactéria”, esclarece que os filtros devolvem a transparência da água eliminando materiais visíveis a olho nu (como terra e areia), mas não expulsam microrganismos contaminadores do líquido. “Já os purificadores, além de eliminar a turbidez, possuem agentes que eliminam as possíveis contaminações por microrganismos”, destaca Figueiredo.

A água não ou mal tratada pode acarretar diversos tipos de doenças, como hepatite, viroses intestinais, salmoneloses, verminoses e parasitoses. De acordo com o infectologista do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo, Orlando Jorge Gomes da Conceição, “também é possível ocasionar intoxicação por componentes químicos, já que a água não foi tratada corretamente e suas impurezas não foram removidas”. “Muitos leitos hospitalares estão ocupados por pessoas adoentadas devido a problemas relacionados com o consumo de água não potável”, complementa o “Doutor Bactéria”.

Antes de analisarmos cada tipo de filtro e purificador, entenda como funciona o tratamento da água e a importância da limpeza da caixa d’água.

Tratamento da água

De acordo com informações da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que abastece 214 Estações de Tratamento de Água (ETA) do Estado, são tratados 111 mil litros de água por segundo. Para que a água chegue potável em casa, ela passa por algumas etapas:

Pré-cloração – Assim que a água chega à estação, é adicionado cloro para facilitar a retirada de matéria orgânica e metais.

Pré-alcalinização – Após o cloro, a água recebe cal ou soda, que servem para ajustar o pH* aos valores exigidos nas fases seguintes do tratamento.

Coagulação – Nessa fase, é adicionado sulfato de alumínio, cloreto férrico ou outro coagulante, seguido de uma grande agitação da água. Dessa forma, as partículas de sujeira ficam eletricamente desestabilizadas e mais fáceis de ser agregadas.

Floculação – Após a coagulação, há uma mistura lenta da água, que serve para provocar a formação de flocos com as partículas.

Decantação – Aqui, a água passa por grandes tanques para separar os flocos de sujeira formados anteriormente.

Filtração – Logo depois, a água atravessa tanques formados por pedras, areia e carvão antracito. Eles são responsáveis por reter a sujeira que restou da fase de decantação.

Pós-alcalinização – Em seguida, é feita a correção final do pH da água, para evitar a corrosão ou incrustação das tubulações.

Desinfecção – É feita uma última adição de cloro no líquido antes de sua saída da Estação de Tratamento, para garantir que a água chegue isenta de bactérias e vírus até as casas.

Fluoretação – O flúor também é adicionado à agua na última etapa para ajudar a prevenir cáries.

Para as casas que não são alcançadas por estações de tratamento de água, é aconselhável a instalação do filtro central na residência. No entanto, o filtro “não elimina microrganismos; é necessário adicionar duas gotas de água sanitária a 2,5% de cloro, e aguardar por 15 a 20 minutos antes de beber”, previne o biomédico Roberto Martins Figueiredo.

Limpeza da caixa d’água

Depois que a água chega em casa, ela precisa continuar pura e cristalina até o uso. Para isso, é essencial a limpeza da caixa d’água a cada seis meses, garantindo a qualidade da água recebida das estações de tratamento. “Muita impureza e fungos são acumulados no fundo da caixa d’água. Por isso, no mínimo a cada seis meses, é recomendável limpá-la, evitando, assim, a proliferação de micro-organismos”, ensina Orlando Jorge, infectologista do Hospital e Maternidade São Luiz.

Tipos de filtros

Filtro de barro – Esses filtros funcionam com a gravidade. A água é filtrada quando passa de um recipiente para outro, podendo ser de barro ou de cerâmica. “O elemento filtrante é a vela que fica dentro do equipamento. Ela tira a turbidez da água, mas não elimina os micro-organismos”, adverte o “Doutor Bactéria”. Quando a vela fica suja, ela deve ser trocada e não lavada com açúcar ou sal. “O certo é verificar a vela uma vez por semana e trocá-la sempre que estiver suja, senão ela passa a contaminar a água”, explica Figueiredo.

Purificador – Os purificadores são acoplados à torneira ou ao encanamento. A água passa pelo filtro e, depois, pelo carvão ativado. “O problema é que o carvão elimina o cloro, a única garantia que temos para manter a qualidade microbiológica da água”, diz Figueiredo. O especialista esclarece que após retirar a água do aparelho e guardá-la na geladeira, por exemplo, você deve adicionar duas gotas de água sanitária (a 2,5% de cloro) para cada litro de água e esperar por 20 a 30 minutos antes de beber.

Ozonizador – Os ozonizadores purificam a água com o gás ozônio. Mas, para que a purificação ocorra, é necessário que o gás fique borbulhando dentro da água por 10 a 15 minutos. “A passagem da água pelo ozônio é rápida nesses aparelhos, então eles falham no tempo de exposição, não eliminando possíveis contaminações por micro-organismos”, explica o “Doutor Bactéria”.

Filtros de pressão instalados na torneira – Esse é um produto mais comum e fica instalado na torneira ou na parede. A filtração tem que acontecer naturalmente, mas, “quando se abre o registro, a pressão do filtro empurra sujidades para frente e elas acabam passando para a água”, diz o especialista.

Antes de comprar o filtro ou purificador, prefira aquele que filtra a água (eliminando as impurezas) e também purifica a água (matando os micro-organismos). “Alguns purificadores se encaixam nestas duas necessidades: a água é filtrada naturalmente, por gravidade e não por pressão, e, depois, passa por setores de hipercloração e decloração (para ajustar a quantidade de cloro), eliminando possíveis micro-organismos presentes”, completa Figueiredo.

Cuidado com o galão!

Quem prefere utilizar o galão de água não pode deixar de higienizar corretamente o recipiente, que deve ser transparente e armazenado em local arejado e limpo. Antes de começar a higienização, lave as mãos para não contaminar o recipiente. “Depois, passe álcool na parte de cima do galão. Isso evita que a água seja contaminada pela sujeira presente na parte de fora do recipiente”, afirma o infectologista Orlando Jorge Gomes da Conceição.

 

Fonte: Revista Vida e Saúde  – Março de 2015
Imagem: Photographee.eu / Fotolia