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Postado por em mar 8, 2016 em Extra |

Água pura

Água pura

Você sabia que mais de 70% do seu corpo é água? Quando nascemos, temos 80% dela dentro de nós e quando envelhecemos essa quantidade vai sendo reduzida e cai para 60%. A água é essencial para a sobrevivência. É excelente lubrificante das mucosas e articulações, além de auxiliar diretamente na eliminação de impurezas e no refrigério dos órgãos e tecidos.

A água é essencial para o funcionamento do corpo e por isso ela tem “passe livre” pelo trato gastrointestinal, seguindo por esse trajeto sem precisar ser digerida. Porém, se isso ocorre durante a digestão de alimentos, durante uma refeição, por exemplo, a água tem a prioridade na absorção. Quando isso ocorre, o suco gástrico é diluído e o processo que estava em curso é interrompido e prejudicado.

É por isso que tomar água durante as refeições não é uma boa escolha. Uma vez que o processo digestivo é interrompido, ele é comprometido negativamente, pois torna lenta a digestão que foi resfriada e diluída pela água. A situação ainda é pior se a água tomada com a refeição estiver gelada. O bolo alimentar sofre fermentação e consequente formação de gases, que leva à distensão e desconforto abdominal pela flatulência, eructação (arroto), azia e má digestão.

Mas e a água presente nos alimentos? Parece impossível se alimentar sem a presença da água, afinal, ela já vem embutida em tudo. Sim, é verdade que há água nos alimentos que ingerimos, porém, na proporção certa e não o suficiente para paralisar ou atrapalhar o processo digestivo. Contudo, existe uma orientação nutricional de que, durante as refeições, é possível a ingestão de até 150 ml de suco de fruta puro, sem adição de água ou açúcar, pois o corpo reconheceria isso como alimento, impedindo que haja dano ou interferência nas etapas da digestão, iniciadas ao ingerirmos qualquer alimento sólido.

Apesar de a recomendação ajudar especialmente aqueles que têm o hábito de comer e beber na mesma refeição, é difícil parar nos 150 ml recomendados. Por outro lado, passar desse limite já é o suficiente para diluir o suco gástrico e acarretar desequilíbrios que comprometem a sequência dos eventos descritos anteriormente.

Quanta água?

Que a água é benéfica em qualquer idade, isso não mais é novidade, mas o que a maioria das pessoas não sabe é que existe uma forma individual de se calcular a quantidade de água que precisamos tomar diariamente. O cálculo é bem simples: basta multiplicar o total do seu peso corporal por 30. Por que 30? Bem, nosso organismo necessita de 30 ml de água pura por quilo de peso corporal, todos os dias, para manter boa hidratação e bom funcionamento. A conhecida orientação dos oito copos de água por dia é referente a uma média, já que somos todos diferentes e temos peso e altura distintos. Vale lembrar que esse cálculo está relacionado à quantidade de água pura que precisamos beber todos os dias e não são considerados aqui os outros líquidos que ingerimos ao longo do dia, como o suquinho da hora do lanche.

Em algumas situações específicas, essa demanda hídrica diária aumenta. É o caso daqueles dias bem quentes de verão, quando estamos na praia, quando praticamos exercício físico ou viajamos para um local mais quente. Outras situações específicas e que demandam um aporte hídrico maior são os períodos de gestação e lactação. Quando a mulher amamenta a criança no peito, a produção de leite materno depende de uma boa e adequada ingestão de água. Nesse caso, o cálculo precisa ser modificado: em vez de se multiplicar por 30, será preciso multiplicar por 35, pois nessas condições específicas cada quilo do peso corporal vai precisar de 35 ml de água pura para as necessidades vitais. Então, uma pessoa que pesa 70 kg e está praticando algum exercício ou esporte num dia quente de verão deve multiplicar 70 (kg) x 35 = 2.450 ml de água.

A ênfase na ingestão de água pura é porque muitas pessoas substituem esse líquido por sucos adoçados, refrigerantes e águas saborizadas. Essas bebidas, além de calóricas, possuem aditivos e compostos químicos que acidificam o sangue e os fluídos corporais. Nosso organismo funciona melhor com o pH do sangue neutro e dos tecidos mais alcalinos, exceto a mucosa vaginal, que possui pH ácido, no intuito de proteger essa porta de entrada contra organismos patogênicos como vírus, bactérias, etc. Sendo assim, a água é um alcalinizante e um ótimo antiácido natural.

Pessoas com pirose (queimação estomacal) precisam aumentar a ingestão de água pura. No entanto, é preciso conferir o rótulo e a procedência da água que você consome, pois o ideal é que ela tenha o pH acima de 6,5, senão acabará ajudando a manter o meio celular acidificado, e isso favorece inflamações que, se persistidas, podem fragilizar o organismo, deixando-o vunerável ao desenvolvimento e agravo de doenças preexistentes ou até mesmo câncer.

Como consumir água

Você pode ficar surpreso e pensar: “Como uma pessoa vai beber toda essa quantidade de água durante um dia?” O ideal é que comecemos a hidratar o corpo com água logo ao acordar pela manhã. A melhor maneira é tomar um copo de água morna assim que acordar. Morna? Isso mesmo! Água morna porque o nosso corpo durante a noite passa um longo período de repouso, sem parar de consumir água. Você sabia que, enquanto respiramos, usamos água, e durante a expiração produzimos vapor de água?

Diante disso, uma forma delicada de despertar seu sistema interno ao acordar é ofertando-lhe um copo de água morna e, se for com o sumo de um limão, melhor ainda, pois esse fruto cítrico é rico em limoleno, substância tonificante do sistema imune e de ação anticâncer.

Durante o restante do dia, o ideal é que você consuma pequenos goles de água o tempo todo. Pois se você ingerir uma grande quantidade de líquidos de uma só vez, vai acelerar a produção de urina, que é constante, e nesse caso a água age como um irritante da bexiga. Isso pode desmotivá-lo a continuar bebendo bastante água, pois a maioria de nós não quer interromper toda hora o que estamos fazendo para ter que ir ao banheiro fazer xixi.

Contudo, bebendo pequenos goles de água ao longo de todo o dia, começando ao acordar, será suprida de maneira linear a hidratação de que o corpo precisa, sem atrapalhar a rotina, tendo que ir ao banheiro o tempo todo. É preciso lembrar que também existe um padrão miccional (urinário) esperado e recomendado pela Sociedade Internacional de Continência (ICS), que é uma micção entre cada três e cinco horas durante o dia e nenhuma durante a noite.

Já que a noite foi feita para dormir, o ideal é que o sono noturno não seja interrompido para que você urine, pois temos o dia todo para realizar essa tarefa. Há exceções como em situações de gravidez, diabetes, hipertensão arterial (pressão alta) e em indivíduos acima de 65 anos (pois o idoso produz mais urina).

Se você não faz parte desse grupo que pode levantar à noite para fazer xixi, talvez precise de algum ajuste comportamental, pois sua energia no dia seguinte estará comprometida se tiver que interromper o sono. Verifique se você não está bebendo mais água na parte da tarde e no início da noite, o que faz com que precise esvaziar a bexiga mais tarde.

Termômetro urinário

Uma das maneiras de verificar se sua relação com a água está adequada é acompanhar a cor e o cheiro da sua urina. A primeira urina pela manhã é mais escura e de odor mais forte, pois se passou um longo período de repouso, filtrando as impurezas do sangue. Porém, as micções subsequentes devem ser claras e de odor suave.

O jato urinário dura em média de sete a dez segundos; seu som é de jato com pressão – isso é uma barreira mecânica de proteção. O jato de urina é uma forma de expelir os micro-organismos que estejam tentando adentrar o organismo via uretra. Nas mulheres, um jato urinário lento, com som despressurizado, geralmente indica fraqueza da musculatura pélvica (perineal). Observe e ouça seu corpo; se a urina tiver aspecto espumoso, tipo “chopp”, coloração muito escura, tipo bebida à base de cola, ou rajas de sangue, procure seu médico, pois algo está errado.

Mas se muitas pessoas não ingerem a quantidade necessária de água diariamente, como elas sobrevivem? Bem, a resposta está na pergunta. Elas “sobrevivem”, porém, em um estado de semidesidratação constante, com sobrecarga no sistema excretor, sobretudo renal, e carentes de água para as funções vitais. O organismo trabalha com estratégias de racionamento e reaproveitamento restritos, muitas vezes emitindo sinais de alerta, pedidos de socorro na forma de dor de cabeça, fadiga e mal-estar. No que diz respeito à água, esses são males que, com certeza, podemos evitar.

Paula Montagna é fisioterapeuta e mestre em Engenharia Biomédica

Bebendo água ao longo do dia

  • Distribua sua ingestão de líquidos, principalmente água, ao longo do dia, iniciando pela manhã, ao acordar, e continuando até o meio da tarde, sempre duas horas após se alimentar, cumprindo sua meta diária no fim do dia.
  • Leve água consigo para o trabalho, aula ou passeio, para tê-la sempre à mão. Dessa forma, você garante a hidratação, sem necessidade de suprimir a sede ou, quando for beber, ter que tomar um volume grande. Uma dica é ter sua própria garrafa.
  • Diminua a quantidade de ingestão de líquido após as 18h.
  • Não leve líquido à noite para o quarto; beba durante o dia, quando está acordado.
  • Evite diuréticos antes de deitar.
  • Mantenha-se hidratado todos os dias.
  • Evite consumir alimentos que irritam a bexiga (café, álcool, pimenta, chocolate, achocolatados e refrigerantes).

 

Atenção: Se houver vontade de fazer xixi à noite (sem nenhum motivo aparente, como os que foram citados), procure um médico urologista para avaliação clínica e um fisioterapeuta, especialista em assoalho pélvico, para avaliação funcional.

 

Fonte: Revista Vida e Saúde –  Agosto de 2015
Imagem: M.Gove / Fotolia